A trajetória de trinta anos da COEPi pode ser organizada em seis fases que demonstram o desenvolvimento progressivo do espaço cultural: da fundação comunitária à consolidação como referência estadual e nacional.
Fase 1 — Fundação e Construção da Sede (1996–2001)
A COEPi foi fundada em 11 de outubro de 1996 a partir da articulação de educadores, artistas e lideranças comunitárias de Pirenópolis comprometidos com a construção de um espaço cultural de base comunitária na cidade. Os primeiros anos foram dedicados à formação da sociedade civil associativa, à definição do propósito institucional e à viabilização material do terreno e sede social.
Em 1997 a instituição recebeu, por doação de Maria Elisa Azevedo, o terreno de 2.901m² no Alto do Carmo, onde funciona até hoje. O projeto arquitetônico foi elaborado pela arquiteta Iaci Machado, e as oficinas e palestras em escolas públicas consolidaram os primeiros vínculos pedagógicos com a rede municipal e estadual de ensino.
Em 1998 foi realizado o primeiro desfile do Bloco Urgente Reciclar, projeto coordenado por Vera Lucena que se tornaria marca carnavalesca da COEPi. No mesmo ano a instituição desenvolveu o Programa de Educação Ambiental financiado pelo PED/GO, com 40 horas de carga horária para professores da rede pública, desdobrando-se em quatro projetos escolares distintos.
Em setembro de 1999 teve início a construção da sede com as Salas Baru e Ipê, os dois primeiros módulos octogonais, viabilizados por doações de materiais e mão de obra. A construção é descrita em detalhe no Boletim nº 1, publicado em maio de 2000, primeira edição do informativo que a COEPi. Ainda em 1999 foi apresentada a dança-coral “Caminho das Pedras” em frente à Igreja Matriz.
Em 2000 foi criada a categoria Bolsa-Padrinho, primeira iniciativa de sustentabilidade financeira com pessoas físicas e iniciada a oficina de educação infantil Pirilampo, que perdurou por 4 anos. Em outubro de 2001 a COEPi foi qualificada como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) formalizando naquele momento seu status jurídico de entidade de interesse público.
Fase 2 — Consolidação Pedagógica, Sociocultural e Cultura Viva (2002–2006)
A construção da sede avançou com a Sala Pequi em 2002 (hoje abrigando o Mini MIS — Museu da Imagem e do Som) e o Coreto/Anfiteatro em 2003, ambiente aberto multiuso que se tornaria palco central da programação cultural da instituição. Ainda em 2003 foi iniciado o Programa de Rádio “COEPi com Você” na Rádio Comunitária Jornal Meia Ponte, transmitido às quintas-feiras, que segue no ar ininterruptamente até hoje, 23 anos depois, sob coordenação de Vera Lucena e Tadeu Ribeiro. O primeiro Planejamento Participativo institucional foi realizado em 2003, marcando o início da cultura de gestão participativa que se tornaria traço permanente da COEPi.
Em 2004 a COEPi foi reconhecida pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura no primeiro edital nacional do Programa Cultura Viva, então sob coordenação de Célio Turino. Este é um dos marcos fundadores da trajetória da instituição: o reconhecimento federal validou a COEPi como equipamento cultural de relevância nacional e abriu um ciclo de políticas públicas estruturantes. No mesmo ano foram implantados o Centro de Educação Ambiental em parceria com o IBAMA-GO, a Sala Verde (biblioteca ambiental do Ministério do Meio Ambiente), a Escola de Informática e Cidadania em parceria com o CDI/GO, o evento Sarau Ambiental e o Programa CRIARTE — de contraturno escolar, idealizado e coordenado por Isabella Rovo, atendendo crianças de 6 a 12 anos com atividades integradas de arte, cultura e educação ambiental. O CRIARTE segue ativo até hoje, renovado a cada ciclo, e constitui o programa formativo mais longevo da COEPi.
Em 2005 foi implementado o projeto Ponto de Cultura INTERARTE, com edital Cultura Viva do MinC, viabilizando oficinas de sucata, papel, barro, flauta, teatro, balé, bijuterias, mosaico, informática e capacitação de professores da rede pública. Também foi aprovado o projeto Modinhas de Goiás, em parceria com o músico e pesquisador Roberto Correa, no Fundo Nacional de Cultura do MinC. Em 2005 foram contratados 32 jovens como agentes de cultura pelo PNPE — Programa Nacional do Primeiro Emprego do Ministério do Trabalho. Em 2006 foi publicado o primeiro Calendário COEPi com registro fotográfico das oficinas, e ainda realizadas dez edições do Sarau Ambiental.
Fase 3 — Reconhecimento Nacional e Articulação em Rede (2007–2010)
Este ciclo foi o de maior reconhecimento nacional da COEPi e de sua inserção ativa nas redes públicas da política cultural brasileira. Em 2007 a instituição ganhou o Prêmio Escola Viva do MinC, selecionada entre as duzentas melhores iniciativas brasileiras que integram educação e cultura. Ainda em 2007 foi aprovado o projeto “Benta que Bento é o Frade” dentro da Ação Griô do Programa Cultura Viva, em parceria com o Colégio Estadual Senhor do Bonfim, projeto que se desdobraria em 2008 numa segunda edição. Foi formado o grupo ProFusão Rítmica, coordenado por Isabella Rovo e Cristina Campos, reunindo alunos de catira, percussão, dança e mestres da tradição oral, com apresentações no Encontro de Cultura Tradicional da Chapada dos Veadeiros, na TEIA 2007 (Encontro Nacional dos Pontos de Cultura em Belo Horizonte) e no Festival de Cultura Popular de Senador Canedo.
Em 2008 a COEPi ganhou três prêmios nacionais expressivos: o Prêmio Ludicidade/Pontinho de Cultura do MinC, o Prêmio Interações Estéticas — Residências nos Pontos (FUNARTE/MinC) em parceria com a coreógrafa Cristina Perera, e a seleção como finalista no 1º Prêmio Objeto Brasileiro (Museu do Objeto Brasileiro, São Paulo) com o projeto “Janelas de Pirenópolis” coordenado por Patrícia Ferraz. No mesmo ano a instituição participou da TEIA Brasília 2008 coordenando o II Fórum Nacional de Pontos de Cultura, foi filmada pela Rede TV Brasil para o programa “Amálgama Brasil” com Jorge Mautner, que na ocasião também realizou show ao vivo no Theatro de Pirenópolis com a participação de alunos das oficinas da COEPI. Integrou o projeto “Artesanato Brasil com Design” em parceria com o PNUD/Caixa Econômica Federal.
Em 2009 a COEPi foi contemplada pelo Prêmio Itaú-Unicef como finalista da Regional Goiânia na categoria micro porte, em reconhecimento ao seu histórico de atuação com educação complementar pelo Programa CRIARTE. Patrícia Ferraz ganhou o Prêmio Tuxáua para realizar articulação dos Pontos de Cultura de Goiás e Distrito Federal. A COEPi foi filmada pela Rede TV Brasil para o programa “Cultura Ponto a Ponto”, participou do “Seminário Internacional do Programa Cultura Viva” em Pirenópolis e integrou a Comissão Organizadora da 1ª Conferência Municipal de Cultura.
Em 2010 a instituição assumiu papel nacional como Pontão de Articulação da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (2010–2013), sediou o primeiro e o segundo encontros nacionais da CNPdC em Pirenópolis, participou da III Conferência Nacional de Cultura em Brasília e da TEIA Brasil 2010 em Fortaleza. Foi aprovado o projeto Areté de Apoio a Eventos Culturais em Rede. Ainda em 2010 ganha Prêmio Asas II, pelas boas práticas de execução e prestação de contas no Projeto do Ponto de Cultura.
Fase 4 — Expansão e Atuação Comunitária (2011–2016)
Entre 2011 e 2016, a COEPi consolidou sua vocação como espaço de cultura popular, educação ambiental e popularização das ciências, com a implantação de equipamentos estruturantes. Foi aprovado o projeto de Educação Ambiental no Programa de Investimentos Sociais PIPS FIES (Fundo Itaú de Excelência Social), que viabilizou no ano seguinte a construção do Museu Oca da Terra, mini museu de história natural do Cerrado, e a implantação de tecnologias sociais e bioconstruções (viveiro de plantas, sistema de captação de água de chuva, laguinhos de tratamento de água cinza). Foi construído o forno coletivo de cerâmica da sede, com apoio do Prêmio Areté do MinC. O Projeto LABCULTURA VIVA produziu três documentários em curta-metragem com participação ativa de jovens do Clube Audiovisual: “Escola da Vida”, “Timbres e Ritmos” e “Almas do Rio”.
Foi fomentado um Circuito Cultural Independente que trouxe a Pirenópolis artistas nacionais e internacionais: o grupo chileno Merkén, a cantora Katya Teixeira, o grupo Tato Criação Cênica (com técnica de dramaturgia física de bonecos), a artista portuguesa Teresa Alpendurada, a bailarina paulista Sonia Galvão e a fotógrafa holandesa Inge Schoutsen.
Em 2013 a COEPi foi contemplada pela quarta edição do projeto Interações Estéticas da FUNARTE com o projeto “Olhar Griô” — cinco mestres da tradição oral receberam máquinas fotográficas para registrar seus ofícios, resultando em exposição de trinta ampliações no Teatro de Pirenópolis e coleção de cartões postais. Foi realizado o Encontro Latino-Americano “Nas Mãos de América” reunindo os grupos MERKÉN (Chile), Makina Kandela (Colômbia), a cantora Katya Teixeira, o grupo local Camerata Caipira e o pintor chileno Roberto Quintana. A COEPi foi semifinalista da regional Goiânia do Prêmio Itaú-Unicef 2013. Em novembro, a instituição recebeu a visita do ex-ministro da cultura Gilberto Gil em reconhecimento ao seu trabalho como Ponto de Cultura.
Em 2014 a COEPi firmou parceria com a Escola Municipal Dom Emmanoel Gomes de Oliveira para o Programa Mais Educação (MEC), com educadores da COEPi integrando a equipe escolar e parte das atividades acontecendo na sede da instituição. Foi contratada pela WWF-Brasil para realizar capacitações em Consumo Responsável e Coleta Seletiva pelo Programa Água Brasil. Participou da FLIPIRI — Festa Literária de Pirenópolis com apresentação da bandinha das crianças da Escola Dom Emmanoel. Foram aprovados dois projetos pelo FAC GO: o Projeto CALIANDRA (oficinas de teatro, vôlei, artesanato, criarte, capoeira, cerâmica, percussão e audiovisual por cinco meses) e o Projeto SONS DO PATRIMÔNIO (circulação da Camerata Caipira por sete cidades goianas). A COEPi completou 18 anos com festa em sua sede reunindo Camerata Caipira, MC Cabeça, Samba de Roda e grupo BONGAR de Pernambuco.
Em 2015 foi aprovado pelo FAC GO o projeto OCA DA TERRA — Modernização e Dinamização do Museu de Ciências, com melhorias estruturais, sistemas de iluminação e segurança, novos atrativos educativos e capacitação de monitores jovens. Foi apoiada a turnê do grupo musical chileno Merkén pelo quinto ano consecutivo. Teve início a parceria com o Projeto Dandô — Circuito de Música Dércio Marques com apresentações mensais em Pirenópolis.
Em 2016, ano das comemorações de vinte anos, a COEPi concluiu o projeto OCA DA TERRA com a instalação permanente de oito ciências, a implantação de uma réplica de sítio arqueológico com fóssil de tigre-dente-de-sabre e painel mural sobre evolução. Realizou o Encontro Multicultural no Theatro de Pirenópolis com o grupo polonês SUTARI, o clarinetista mineiro Urbano Medeiros, Camerata Caipira e Trio Baru. Promoveu festa de aniversário de vinte anos com 300 pessoas reunindo o Mamulengo FUZUÊ de Brasília, Cia. Nu Escuro de Goiânia, Maracatu Akdorge e Tambores do Tocantins. Foi parceira no Projeto CUIA — Central Única de Integração das Artes, intercâmbio entre grupos de cultura popular de Pernambuco e Goiás. Inaugurou o Cine COEPi com exibições gratuitas semanais todas às sextas-feiras, programa que se mantém até hoje.
Fase 5 — Maturidade e Resiliência Pandêmica (2017–2022)
Em 2017 a COEPi inaugurou o evento mensal Feirança, de venda e troca de produtos orgânicos e artesanais baseado nos princípios de economia solidária, que se tornaria um dos principais eventos do calendário da instituição. Consolidou a OCA DA TERRA com roteiro permanente de visitação educativa e criou a campanha “Empresa Amiga” como matriz complementar de sustentabilidade financeira.
Em 2018 foi implementada a oficina de Maracatu Baque de Rocha, que se tornou um dos principais grupos de cultura popular de Pìrenópolis e que impulsionou a criação do Encontro Ipadê. Foram realizadas 2 capacitações para professores da rede pública de ensino: “Atividades Práticas no Ensino de Ciências” ministrada pelo biólogo Rogério Dias e “Arte na educação Infantil” ministrada por Isabella Rovo. As capacitações tiveram 20 horas cada e foram contratadas pela Secretaria Municipal de Educação de Pirenópolis.
Em 2019 a COEPi ganhou o Prêmio Culturas Populares MinC — Edição Teixeirinha, implementou o projeto “Modernização da Área Demonstrativa de Agroecologia” com recursos da Embaixada da Nova Zelândia, incluindo a perfuração de mini poço e a construção de estufa agrícola metálica de alta tecnologia. Realizou cinco oficinas em parceria com EMBRAPA-Cerrados, EMBRAPA-Hortaliças, EMATER-DF e Prefeitura de Pirenópolis. Produziu e apresentou o espetáculo teatral “Liberdade Liberdade” com direção de Paulo Cabral.
Em 2020, diante da pandemia de Covid-19, a COEPi deu resposta imediata com a criação do CRIARTE EM CASA, versão online do programa com vídeos para crianças disponibilizados nas redes sociais, e reformou diversos espaços e estruturas físicas com a ajuda de associados e diretoria, aproveitando o período de restrição. Em novembro de 2020 lançou o Almanaque “Pirenópolis — Patrimônio Brasileiro”, distribuído para alunos de 4º e 5º anos de todas as escolas da cidade como parte do programa CRIARTE.
Em 2021, ao completar 25 anos, a COEPi realizou programação comemorativa com shows da Camerata Caipira, do Grupo Catira Raiz de Pirenópolis, Quinta da Viola e Trio Baru. Construiu o relógio solar pelo artista Jota Clavijo como novo instrumento ecopedagógico e realizou curso de formação de monitores para o museu, com apoio do IBRAM. Funda a BRIGADA GAVIÃO FUMAÇA, corpo voluntário de combate a incêndios florestais que no primeiro ano capacitou cinco brigadistas e combateu nove incêndios, inclusive no Parque Estadual dos Pireneus em parceria com os Bombeiros e a Brigada Aliança da Terra.
Em 2022 foi realizada a Mostra Musical “Prata da Casa — COEPi 25 anos” com apoio do FAC GO, gravando e publicando canções autorais de 25 músicos locais em playlist no canal de Youtube da COEPi. Foi instalada no Museu Oca da Terra a maquete da Serra dos Pireneus produzida por Marcos Lotufo, foi realizada oficina de construção de instrumentos para o Parque Sonoro DiVerSom com Márcio Vieira do Circo Teatro UdiGrudi. Foi realizada Colônia de férias para crianças da comunidade no mês de julho.
Fase 6 — Certificação como Escola Livre e os 30 Anos (2023–2026)
Em 2023 a COEPi aprovou quatro projetos no FAC-GO: Ateliê COEPi (artesanato com identidade cultural local), 3º Ipadê — Encontro de Maracatus do Cerrado com shows da Nação Porto Rico e do grupo Bongar de Pernambuco, Adequação da Oca da Terra e Luthieria Pulsação para produção artesanal de instrumentos. Foi aprovado o projeto AFLORA no Programa Escolas Livres do Ministério da Cultura, passo decisivo rumo ao reconhecimento formal da COEPi como Escola Livre, que veio a se consolidar em 2025. A COEPi recebeu a visita da comitiva do Parlamento Europeu em missão ao Brasil para conhecer o bioma Cerrado.
Em 2024 a COEPi realizou novo Planejamento Estratégico Participativo sob mediação de Tatiane de Jesus, e deu início a realização das ações do projeto AFLORA (Escolas Livres/MinC) com oficinas de Mosaico, Serigrafia Artesanal, Macramê, Cerâmica, Agroecologia, Viola Caipira, Audiovisual, Capoeira Angola, Dança Contemporânea, Dança Afro-brasileira, Maracatu, CRIARTE e Curadoria da Oca da Terra. Aprovou ainda três projetos na Lei Paulo Gustavo (SECULT-GO): o documentário “É Fogo!” sobre a Brigada Gavião Fumaça, a manutenção do Cine COEPi e o 4º Ipadê — Encontro de Maracatus do Cerrado. Finalizou o projeto “Adequação e Reforma no Museu Oca da Terra” sob coordenação do biólogo Rogério Dias com apoio do FAC-GO.
Em 2024 aprovou e executou em 2025 e 2026 três projetos da PNAB-GO: “COEPi 30 anos” (oficinas de arte, quatro edições da Feirança e apoio a grupos de Cultura Popular locais), “Andes Tarde que Nunca” (intercâmbio dos grupos Camerata Caipira do Brasil e Merkén do Chile) e “Ateliê COEPi” (manutenção do coletivo criativo de artesanato com identidade cultural de Pirenópolis). Inaugurou a atividade quinzenal Ludoteca com jogos de tabuleiros organizado por jovens parceiros, realizou a segunda edição do evento MAJPI — Mostra de Arte Japonesa de Pirenópolis, sediou o Seminário de Gestão Integrada das Unidades de Conservação na Serra dos Pireneus pelo Instituto Cerrados com apoio do FunBio, e reorganizou o espaço e acervo da biblioteca e Sala Verde. Com a primeira edição do projeto Ipê de Pé (PNAB GO 2024), reformou a cozinha ampliando seu espaço e adequando-o para a realização de eventos e cursos, reformou o telhado da arquibancada do anfiteatro/coreto, ampliou a área do ateliê de
artesanato e construiu um novo módulo com quatro banheiros, sendo um deles totalmente acessível para cadeirantes, idosos e famílias com crianças.
Em 2026 recebe uma emenda parlamentar do Rubens Otoni para dar continuidade de atividades do Projeto Aflora da Escola Livre da Secretaria de Formação artística e cultural livro e leitura (SEFLI/MinC)