Equipe da COEPi faz expedição ao Petróglifo de Mara Rosa Patrimônio Arqueológico Goiano

No final de setembro de 2026 uma equipe de colaboradores da COEPi (o biólogo Rogério Dias, o arqueólogo Jota Clavijo, o químico Alvimar Nascimento e o arquiteto Agustin Fila) fez uma expedição para conhecer e estudar um incrível petróglifo, arte rupestre entalhada na rocha, localizado no município de Mara Rosa no norte goiano. A expedição teve o objetivo de analisar, fotografar e medir o petróglifo visando a construção de uma réplica na sede da COEPi em Pirenópolis.Existem mais de mil sítios arqueológicos pré-históricos registrados pelo IPHAN no estado de Goiás, a maioria desconhecida e abandonada, infelizmente. O conhecimento de nossa pré-história e de nossa história é fundamental para que saibamos de onde viemos, quem somos e para onde vamos. Existem evidências arqueológocas (fósseis, objetos e arte rupestre) que comprovam a presença humana no território que hoje conhecemos como Goiás há mais de dez mil anos.Existem muitos vestígios dealdeias indígenas com esqueletos e artefatos de cerâmica, de um período mais recente quando os povos indígenas já haviam inventado a agricultura. Existem ferramentas de pedra polida do neolítico e de pedralascada do paleolítico, de tempos mais remotos quando os seres humanos eram caçadores/coletores. Existem abrigos rochosos, paredões e matacões com pinturas e gravuras rupestres, conhecidas como petróglifos ou itacoatiaras(pedras riscadas em tupi). A Pedra do Ingá na Paraíba é o exemplo mais famoso do Brasil. Em Goiás existem vários, um dos maiores e mais impressionante é a Pedra do Bisnau em Formosa com gravuras geométricas espalhadas sobre uma grande laje rochosa. Alguns arqueólogos acreditam que se trata de um grande mapa astronômico.

O petróglifo de Mara Rosa que fomos conheceré um exemplar magnífico, de uma beleza estética impressionante, parecendo arte moderna.O famoso artista moderno Pablo Picasso fez um comentário marcante quando foi conhecer pinturas rupestres famosas na França, ele disse: “Não inventamos nada.” A interpretação de uma arte rupestre é sempre subjetiva. Na maioria das vezes não podemos ter certeza do que se trata, quais seriam seus significados e propósitos para os povos que as fizeram. Muitas vezes é possível identificar figuras zoomórficas, com formas de animais; figuras antropomórficas, com formas humanas; e figuras geométricas de difícil interpretação. Esse petróglifo de Mara Rosa parece representar quatro figuras humanas estilizadas, com cocares e um sol no alto, além de riscos e esferas que parecem representar outros astros celestiais. A observação das inscrições é melhor quando a luz do sol as ilumina lateralmente, criando sombras e realçando as figuras. Na medida que o sol sobe o painel rochoso vai sendo iluminado aos poucos,revelando da esquerda para a direita, as figuras uma a uma, num movimento cinematográfico lento e deslumbrante. A observação noturna, com lanternas também é muito interessante,realçamdo as inscrições com uma iluminação lateral. A imaginação vai mais longe à noite, pensando nesses nossos antepassados, que há séculos ou milênios viveram por aqui, caçando e coletando: pequi, jatobá, baru… À noite, à luz de fogueira e céu estrelado, a visão do painel esculpido na rocha deve ter sido impressionante, marcante. Literalmente marcante, marcando um local no território, um local de referência, de encontro daqueles povos, possivelmente um local de contação de histórias, de mitos e cultos. Algumas observações e interpretações arqueo-astronômicas sugerem que as inscrições e/ou posição das rochas esculpidas se relacionam aos movimentos dos astros celestiais,à constelações indígenas, e que podem ter sido esculpidas há nove mil anos (Pereira, 2022).

Alguns petróglifos de Mara Rosa foram registrados no IPHAN em 1971 e estão sobre a proteção da Lei do Patrimônio Arqueológico no3.924 de 1961. De acordo com a plataforma Sítios Brasil, este local foi formalmente documentado pela primeira vez como sítio arqueológico por Marciel Pereira em seu trabalho de conclusão de curso (UCG, 2022), no qual foram identificados 15 matacões com registros rupestres. De acordo com arqueólogos que visitaram o local, os petróglifos de Mara Rosa apresentam atributos estilísticos de particular distinção, que os qualificam como representantes de um estilo regional único, configurando-se como testemunho material de excepcional relevância sobre a ocupação pré-colonial do território brasileiro.

Trata-se de um sítio arqueológico de altíssimo valor arqueológico, cultural, artístico, histórico e turístico. Precisa ser preservado, estudado e conhecido. O turismo arqueológico pode e deve ser uma ferramenta de valorização e proteção do patrimônio cultural e natural. É necessário conhecer para querer preservar. A COEPi pretende fazer uma réplica desse petróglifo em sua sede para fins educativos, mas deseja sobretudo que o original seja preservado, estudado, conhecido e valorizado. O ideal seria que este sítio fosse transformado numa unidade de conservação que garantisse sua proteção efetiva e permanente, a pesquisa científica e a visitação pública controlada. Para tanto, esforços conjuntos do poder público, da academia, da sociedade civil e da iniciativa privada são necessários. Temos no Brasil um excelente modelo a seguir no Parque Nacional da Serra da Capivara, implantado pela memorável arqueóloga NièdeGuidon no Piauí.

Veja matéria sobre nossa expedição aoParque da Serra da capivara em 2025: https://coepi.org.br/2025/08/23/coepi-e-instituto-olhos-dagua-realizam-intercambio-historico-entre-cerrado-e-caatinga/

Na cidade de Mara Rosa a equipe da COEPi foi conhecer também um trabalho de educação ambiental e patrimonial na Trilha do Conhecimento da Mineradora Hochschild, a qual explora ouro no município. Trata-se de um circuito de 600m comtreze estações temáticas, que contam a história de Mara Rosa, da mineração, da cultura e do meio ambiente locais. Numa das estações existe uma réplica do petróglifo de Mara Rosa e painéis que contam um pouco da pré-história local. A equipe foi muito bem recebida pelo biólogo Mateus Silva, funcionário da mineradora.

O Museu de Ciências Oca da Terra da COEPi em Pirenópolis possui um pequeno acervo de peças arqueológicas e indígenas de diferentes etnias brasileiras e uma réplica de Sítio Arqueológico onde grupos escolares aprendem um pouco sobre nossos povos originários e nossa pré-história. A visitação pode ser agendada pelo celular/WhatsApp: (62) 99138-3665

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